Simonne Ramain, a partir de uma incessante atenção à necessidade do ser humano em encontrar respostas novas e mais adaptadas a uma realidade caracterizada pela singularidade e efemeridade de cada situação, desenvolveu, na França, em meados da década de 30, uma metodologia de ação evolutiva que atualmente se encontra em consonância com as mais recentes descobertas da neurociência. Simonne Ramain privilegia a experiência vivida como meio de promover no indivíduo um desenvolvimento e uma reestruturação mental global, equilibrada e orgânica, que incide sobre os processos cognitivos de modo abrangente: do intelectual e motor ao emocional e social.

No RAMAIN as sessões acontecem exclusivamente em grupo, analogicamente correspondente à inserção social, no qual cria-se uma dinâmica em que o indivíduo é solicitado continuamente a situar-se diante de si e dos outros, bem como de uma realidade nova e inusitada dada pelas situações propostas durante a sessão e através da ação do terapeuta.
As situações propostas são baseadas em exercícios, os mais diversificados possível quanto a sua natureza, que tomam valor evolutivo à medida em que, apresentados dentro do setting proposto, convidam o indivíduo a viver o inusitado enquanto sujeito livre para pesquisar e pesquisar-se em uma situação rica em possibilidades relacionais – como na vida – permitindo a ele criar novos meios de perceber e agir sobre a realidade, apresentado respostas novas, não estereotipadas.

O sujeito é, pois, impelido, frente à situação problemática proposta por meio dos exercícios, a esforçar-se em busca de novas alternativas uma vez que aquelas contidas em seu repertório serão insuficientes para atender ao solicitado. O esforço empreendido na pesquisa desencadeia a formação de novos circuitos neurais, que se consolidarão, lenta e progressivamente, ao longo do processo terapêutico.

O RAMAIN cria os meios que permitem à pessoa expressar, com espontaneidade e criatividade, soluções para seus impasses do cotidiano: afetivo, familiar, educacional, profissional ou social. Isso se dá não apenas pela indiscutível formação de novos circuitos neurais, mas também através de um ganho no grau de confiança interna e um desencadeamento da consciência de si que permitem a espontaneidade do ato criativo diante das situações da vida.

Os exercícios são organizados em programas específicos selecionados de acordo com a necessidade de cada sujeito que se apresenta ao trabalho.

O trabalho psicoterapêutico RAMAIN proporciona uma experiência dotada de uma dinâmica bastante particular, pois diferenciando-se de qualquer trabalho de natureza apenas verbal, solicita à pessoa cada vez mais colocar-se em ação, de modo crítico e responsável, comprometida com a realidade, dotada de flexibilidade e disponibilidade emocional e motora.

Atualmente, tanto no Brasil como na Europa, o RAMAIN vem sendo utilizado não apenas em contexto clínico, mas também em contextos empresariais, escolares e institucionais.