A insegurança em crianças pode ser prevenida, se você souber o que fazer e o que não fazer. Muitas crianças sofrem de insegurança infantil, como resultado de negligência em casa ou distanciamento emocional dos pais, o que pode levar ao que psicólogos se referem como “transtorno de apego reativo”. Como resultado, a criança poderá ter dificuldades em formar relacionamentos significativos. Os pais podem ou não saber que o que estão fazendo é a razão da insegurança dos filhos.

Isso é muito comum em crianças na segunda infância, por volta dos 6 anos, período este em que encontra-se em processo de formação a sua consciência moral e na qual o controle externo vai pouco a pouco sendo substituído pelo autocontrole, e no início da terceira infância, quando tem início o ensino formal.

A criança ainda age de forma heterônoma, influenciada principalmente pelos pais e adultos significativos, internalizando regras e valores sociais. Já está começando a construir um conceito sobre si própria e os julgamentos dos outros a seu respeito são importantes. A criança começa a perceber que a aceitação a rejeição social depende de suas ações e de seu comportamento. Ainda precisam dos pais como fonte de segurança e apoio, e estes ainda exercem grande influência em suas decisões. Há um desenvolvimento em direção à autonomia, não necessitando mais da supervisão absoluta do adulto, apresentando uma postura mais madura em relação ás regras.

Nesta idade de transição, a criança pode mostrar-se em alguns momentos com dificuldade em decidir coisas aparentemente simples, como a roupa que vai usar, o sabor do sorvete que vai tomar, ou se vai ou não ao passeio da escola, que se tornam verdadeiros conflitos, ao mesmo tempo que em outros momentos mostra-se totalmente decidida. Vários fatores emocionais podem estar em questão, e fazem parte do desenvolvimento saudável do ser humano.

Muitas vezes os desejos da criança são equivalentes, tem o mesmo valor para ela, e a criança sofre por não poder decidir-se por apenas um deles. É difícil para ela decidir o que lhe é mais importante, principalmente porque tudo lhe parece importante, e escolher uma coisa significa abrir mão de outra, sem garantias de que escolheu o melhor.

Outras vezes, deseja tanto que o outro goste mais dela do que dos demais, que precisa que as pessoas que mais confia lhe garanta a melhor opção para que isso aconteça.

Outras vezes, o desejo de agradar aos pais e corresponder às expectativas que imagina que estes tenham sobre ela também se sobrepõem e precisa que estes lhe digam o que fazer, o que escolher, para continuar sendo amada.

E a criança sofre sim, e bastante, com estes momentos em que precisa tomar uma decisão e não consegue, e mais ainda se não puder contar com o apoio e compreensão dos pais. Isso não significa que os pais devem simplesmente efetuar uma escolha pela criança para aliviá-la de seu sofrimento, pois é preciso que a criança desenvolva a capacidade de tornar-se autônoma. Também não significa que devem deixa-la só para decidir qualquer coisa, pois ela ainda não tem maturidade para tomar decisões acerca de muitas coisas e precisa da segurança dos limites e da referência dos pais para realizar suas escolhas.

É importante, em primeiro lugar que os pais compreendam que trata-se de um sofrimento, que faz parte do desenvolvimento normal. A criança quer decidir sozinha, mas não consegue. Precisa de ajuda. Não que os pais escolham por ela, mas que a apoiem, tranquilizem e orientem. Irritar-se e apressá-la para que tome uma decisão só vai aumentar sua ansiedade e angustia. Frases do tipo: tem certeza? não vai se arrepender? também não são boas alternativas, pois só confirmam a crença que ela tem de que é incapaz de decidir corretamente.

É importante que os pais esclareçam as dúvidas da criança, orientem, ajudem a pensar, mas não decidam por ela e apoiem sua decisão. Por exemplo, a criança não sabe qual sabor de sorvete escolher na sorveteria. O pai e a mãe podem explicar qual o sabor favorito de cada um, e que ela deve ter o dela, que ainda vai descobrir, e que ela vira muitas outras vezes à sorveteria para que possa provar vários sabores até que encontre seu favorito. Assim saberá que tem direito a seu próprio gosto, mesmo que diferente dos demais, e que as escolhas podem ser revistas e aprimoradas com o tempo.

Que vestido usar, que perfume usar, que desenho fazer? São perguntas carregadas de angustia. E os pais precisam ajudá-la, por exemplo, perguntando a ela se ela gosta mais de perfume com cheiro de flores ou de madeira, e indicar qual é. Ou definindo qual é de adulto e qual é de criança. Assegurando-lhe que poderá usar os dois vestidos, um hoje e outro amanhã. As vezes ajudando-a a lembrar de escolhas passadas como: os dois são lindos, na última festa você foi com este, gostaria de colocar um diferente ou ir com o mesmo? Ou: este vestido é mais sério e este mais alegre, como você está se sentindo hoje, mais seria ou mais alegre. São formas da criança perceber que a escolha tem a ver com ela e que os pais ficam felizes com ambas as escolhas.

Ou ainda, quando a criança finalmente opta por uma roupa a qual os pais prefeririam que fosse usada de uma forma, por exemplo, uma calça roxa com uma camiseta verde, e questionam sua decisão, dizendo que seria melhor que escolhesse outra coisa. A sensação é que não é incapaz de escolher e de agradar.

Ou ainda, quando não sabe se quer ir ou não ao passeio da escola e os pais colocam na criança um a expectativa irreal para convencê-la a ir e ela se decepciona, não confiando em sua capacidade de julgamento.

É importante verificar se a criança compreendeu o que é objeto de sua escolha, pois quando não compreende bem sua angustia aumenta. É importante explicar em uma linguagem simples e objetiva.

Dar a criança oportunidade de fazer escolhas é fundamental para seu amadurecimento e para o desenvolvimento da autonomia e da personalidade. É escolhendo que ela vai aprender a escolher. Prem os adultos não devem submete-la a escolhas que estejam além d essa capacidade de decidir, sob o risco de deixa-la insegura, angustiada. Há decisões que são dos adultos, e são eles que devem faze-las, sem repassa-las às crianças (em caso de separação com quem vai ficar, onde vai estudar, que horas vai dormir, etc.) Um excesso de alternativas também pode ser evitado, pois muitas opções podem deixa-la confusa.

Nesta fase, no desenvolvimento normal, passa. Para isso, ela precisa de oportunidades e estimulo para decidir, encontrando satisfação em suas decisões. Os pais precisam ser compreensivos e continentes enquanto ela tenta decidir, mas não decidir tudo por ela. Precisam assegura-la de que, se não gostar do que decidiu, depois poderá decidir de novo. É decidindo que ela descobrirá que seu como é tem valor, seus gostos, sua opinião, suas escolhas, tornando-se mais autônoma, independente, segura e confiante.

Claro que os pais precisam estar atentos sempre que qualquer que qualquer comportamento esteja presente de forma intensa, comprometendo o dia-a-dia da criança. Crianças muito inseguras, carentes podem apresentar este comportamento de forma exacerbada com um nível de sofrimento que mostre ser necessário a ajuda e orientação de um psicólogo. E nestes casos, quanto antes os pais procurarem orientação, melhor. A correria do dia-a-dia, o pouco tempo passado com os filhos, as relações interpessoais mais escassas e aumento das relações virtuais podem sim dificultar que as crianças atravessem os conflitos inerentes ao desenvolvimento, e precisem de algum tipo de apoio.

Decidir tudo pela criança dificulta a desenvolvimento e a aquisição da autonomia e autoconfiança.

SERVIÇO:
Ana Paula Magosso Cavaggioni psicóloga da Clia Psicologia e Educação
Psicóloga Clínica – Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
Especialização RAMAIN – Cari Psicologia e Educação
Especialização DIA-LOG – Cari Psicologia e Educação
Pesquisadora convidada do IPUSP – Departamento de Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade.
Diretora da Clia Psicologia e Educação

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