– Por que algumas pessoas tem o costume de ser boazinhas demais com as outras? (Para evitar conflitos, por comodismo, etc.)
Via de regra a pessoa que tem o costume de ser boazinha demais com as outras teme na realidade a rejeição ou a perda, tentam desesperadamente adequar-se ao que imagina que seja esperado e aprovado pelo outro a fim de manter a relação seja de amizade ou qualquer outra espécie. Acreditam que esta é a única forma de se relacionar, que se mostrar o que realmente sente ou pensa será julgado e condenado, vive em constante sensação de culpa, ansiedade e tensão.

– Por que isso pode ser prejudicial para a pessoa boazinha? (Fica muito mais estressada, não consegue se expressar direito, fica depressiva, etc.).
No anseio de ser aceita e querida acaba-se perdendo a própria identidade, permite-se que o outro ou sua vontade determine o caminho a ser seguido, a forma de viver, perdendo-se assim a espontaneidade, a criatividade e liberdade de ser única e ter seus próprios ideais e objetivos. Com tudo isso perde-se a auto estima, permite-se que uma avaliação negativa apodere-se de seus pensamentos levando a dependência do outro e a um vazio interno muito intenso que pode causar depressão entre outras patologias.

– As mulheres são mais assim do que os homens? Por quê?
Interessante, de fato as mulheres são maioria ao apresentar este quadro, tal fato se deve por questões biológicas e sociais, percebe-se que de uma forma geral as mulheres são mais ligadas a família, aos amigos, criam maior vinculo e se preocupam mais com o outro que os homens. São ensinadas assim pelos pais ou cuidadores. Não podemos esquecer a questão hormonal e seus ciclos que acometem o sexo feminino, influenciando na sensibilidade e dificuldade em dizer não ou impor-se quando deseja.

– Esse comportamento começa desde cedo?
Não existe idade certa para o início do comportamento que podemos chamar de forma pedagógica de ¨síndrome do bonzinho¨, a partir do momento que se vê em sociedade, convivendo com diferentes tipos de pessoas esta forma de colocar-se pode aparecer, inúmeras possibilidades podem contribuir com seu início, seja a forma como a família enxerga e acolhe o indivíduo até traumas maiores como rompimento de namoros ou perda de pessoas queridas.

– Uma das dificuldades da pessoa bondosa é não ter a chance de dizer não quando ela quer. Como ela pode passar a fazer isso de um jeito educado com a família, os colegas, o namorado ou no trabalho?
Primeiro é preciso perceber que está agindo de tal forma e entender que melhor seria mudar este comportamento, esta mudança primeiramente é interna, vislumbrando, se for o caso, que melhor seria agir de forma a respeitar-se mais, a ouvir-se mais e dar menos importância ao outro do que a si mesmo. Havendo esta percepção, e com um pouco de esforço e atenção, vai-se mudando o externo, a forma de colocar-se nas situações e diante os outros, porém atentando-se para não radicalizar na ânsia de ver mudanças imediatas.

– Se as pessoas sempre ficam no nosso pé, pedindo ajuda em excesso no trabalho, e nós não temos coragem de recusar ou ser indelicada. O que é indicado fazer?
Existem formas de mostrarmos ao outro as possibilidades e inviabilidades de solicitações sem sermos indelicados, acredito que o primeiro passo é agir de modo sincero apresentando as razões de não poder ajudar naquele momento e prontificando-se para em outra ocasião, sendo possível, ajudar. Falando sempre de forma calma e educada.

– Além de considerarem a pessoa frágil e manipulável, quem abusa da pra atividade dos bonzinhos também subestima as qualidades dessas pessoas. O que é melhor fazer nessas horas?
Cortar este comportamento de imediato mostrando que embora possa parecer frágil e boba, na verdade, ali encontra-se uma pessoa inteira, com desejos e ideias próprias, capaz e independente, que querendo pode ou não prestar a ajuda solicitada.

– Além de tudo, a pessoa não é ouvida ou respeitada pelos demais. Como o bonzinho pode delimitar o seu espaço, estabelecer as suas regras e ter suas intenções ouvidas e respeitadas?
Primeiro é necessário que o ¨bonzinho¨ de ouvidos a si próprio antes de ouvir ao outro, entender o que deseja, no que acredita e colocar-se desta forma resoluta diante dos outros, isso por si só mudará também a forma como é visto, criando um espaço próprio e fazendo-se respeitar. Novamente ressalto que a mudança a que ser interna, só assim fará diferença no mundo externo.

– Caso a pessoa tenha dificuldades em tomar uma atitude, ela deve procurar ajuda profissional? Por quê?
A ajuda adequada permitirá que a pessoa perceba a como vem agindo e a descoberta do que realmente quer, cada um tem seus objetivos, a ideia é viver de forma leve, criativa e plena. Sentir-se livre não é tão simples quanto parece, primeiro é necessário conhecer-se, ter contato com o que está guardado lá fundo, é aí que o profissional adequado entra e serve de ferramenta nesta busca.

– Quais são as cinco dicas de ouro para deixar de ser bonzinho e tomar uma atitude de vez?
Não acredito em dicas de ouro, penso que a melhor forma e o autoconhecimento, entender os porquês da sua natureza, tomar as rédeas de suas atitudes, permitir-se sentir sem culpa. Estando bem consigo mesma o demais vem por consequência.

– Se a pessoa fica estressada demais por ser boazinha, qual a melhor forma de ela relaxar?
Procurar algo que lhe dê prazer de forma genuína, que a faça sentir completa e capaz.

Fabio Bonilha Cavaggioni, psicanalista da Clia Psicologia, Saúde & Educação
Psicanalista graduado pela Sociedade Brasileira de Psicanalise Interativa, com especialização em Psicopatologia e Comportamento Borderline ( SBPI ), especialização em Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade – IAEU – Universidade de León, Aprofundou-se em estudos da Teoria Freudiana, junto a Sociedade Brasileira de Psicanalise.

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